12.13.2006

Frágil...

Depois da conferência de imprensa de ontem, onde o Engenheiro José Eduardo Simões pela voz de um dos seus pares leu laconicamente um comunicado onde deu conta da sua continuidade em funções, não obstante a acusação do MP, sem permitir aos jornalistas formular quaisquer questões a esse propósito, o que doravante caracterizará as decisões e a actuação dos actuais corpos sociais da Académica será obviamente a fragilidade dos mesmos…
Fragilidade que aliás, já esteve expressa no próprio comunicado, cuja interpretação não deixa margem para dúvidas acerca da falta de consistência do seu conteúdo.
Senão vejamos…
Compreendo que se diga publicamente que a fase acusação corresponde a um culminar de uma fase investigatória de carácter policial sem a intervenção de qualquer juiz.
O que já não compreendo é que se diga que durante essa fase não teve o Engenheiro José Eduardo Simões a possibilidade séria de proceder à sua defesa e mesmo de, acrescento eu, evitar a acusação formal que sobre ele veio a ser efectuada.
Para sustentar tal incompreensão da minha parte faço uso da própria legislação processual penal, sendo que do respectivo código ressalta bem explícito do conjunto de direito concedidos a quem se encontra na posição de arguido que pode este «intervir no inquérito ou na instrução, oferecendo provas e requerendo as diligências que se lhe afigurem necessárias» (alínea f do art.º 61.º do CPP).
Ora durante esta fase de inquérito terá o Engenheiro José Eduardo Simões sido ouvido pelos órgãos de polícia criminal em várias ocasiões, durante as quais teria tido a oportunidade de apresentar a sua versão dos acontecimentos e as provas da mesma, por forma a convencer as autoridades policiais de que nada de relevante se teria passado do ponto de vista criminal.
Acreditar no contrário mais não é que sustentar que em Portugal o MP deduz acusações sem fortes indícios da prática dos factos que as sustentam e, por essa via, que acreditar permanentemente na «teoria da cabala», sempre que a actuação de uma figura pública é posta em causa pelas autoridades competentes…
Manifestamente não foi isso que aconteceu. O que verdadeiramente ocorreu foi que durante a fase de Inquérito não logrou o Engenheiro José Eduardo Simões convencer as autoridades que dirigiram o mesmo da sua falta de responsabilidade na prática dos factos que lhe eram imputados… o que, reconheça-se, não significa que seja de facto culpado ou sequer que venha a ser declarado como tal…
Seja como for e mesmo tendo em conta a solidariedade expressa pela Mesa da Assembleia-Geral e pelo Conselho Fiscal, nas pessoas dos seus presidentes Drs. António de Almeida Santos e Gonçalo Dinis Capitão, (dois ilustres e destacados académicos cujo passado fala por si do ponto de vista da idoneidade e da seriedade), a fragilidade inerente às decisões e à actuação desta Direcção será um facto…
Um facto indissociavelmente ligado à opção individual do presidente pela manutenção das suas funções e pela colagem inequívoca da imagem da instituição à marcha do processo-crime que sobre ele impende…mas também claramente ligado ao apoio colectivo que solidificou essa opção por parte dos demais órgãos sociais.
Escrevi neste espaço que aos presidentes dos vários órgãos caberia a palavra.
Vou por isso respeitá-la e esperar que tudo corra bem…
Mas, se não correr, que ninguém se esqueça de que se sancionou colectivamente este desfecho e de que existe a figura da suspensão do mandato, pela qual poderia ter passado uma solução mais adequada do ponto de vista ético, que é (ou era) o mesmo que dizer do ponto de vista…académico.

12.12.2006

A acusação ao presidente da Académica

A notícia da acusação formal ao Engenheiro José Eduardo Simões por alegados crimes de corrupção e de tráfico de influências não pode deixar de gerar preocupação entre os académicos.
De facto, mais do que o bom nome e a família do visado, valores e realidades que carecem de preservação, estão em causa definitivamente o bom nome e a família Académica, da qual todos fazemos parte…
O Engenheiro José Eduardo Simões não é de facto apenas o ex-Director do Urbanismo da CMC, mas é o actual PRESIDENTE DA DIRECÇÃO DA ACADÉMICA, arrastando consigo neste processo o nome da instituição, por muito que se não queira reconhecê-lo.
De facto a acusação ao presidente marca indelevelmente a impoluta imagem da Briosa, reconfigurando-a, medindo-a por bitola alheia e tornando-a rigorosamente igual à dos demais clubes, no que de mais negativo tem tal identificação.
Em boa verdade, o Engenheiro José Eduardo Simões não se distingue hoje de outros arguidos do domínio do futebol, como Luís Filipe Vieira, Valentim Loureiro, Pinto da Costa ou José veiga, como não se dissocia hoje a Académica de outros clubes, cuja actuação foi legalmente questionada pela Justiça, como por exemplo o Benfica da era João Vale e Azevedo ou o Vitória de Guimarães do tempo de Pimenta Machado, para só citar os casos mais mediatizados na opinião pública…
Esta é pois uma dimensão do problema que não pode nem deve ser ignorada, nem pelo Engenheiro José Eduardo Simões, nem pelos sócios da Briosa.
Outra dimensão que cabe sublinhar é inequivocamente a do significado jurídico da acusação que, em momento algum, se confunde com a sentença que o processo merecerá, finda que seja a audiência de discussão e julgamento, que forçosamente terá lugar, a menos que seja requerida a abertura de Instrução.
Não obstante a sua condição de arguido e a emissão do despacho de pronúncia que sobre ele incidiu, beneficia ainda o Engenheiro José Eduardo Simões da presunção do «In dubio pro Reu», mecanismo que lhe garante a inocência sobre os factos que lhe são imputados, até que se faça prova do contrário.
Esta presunção, sem a qual a estabilidade da legislação e do processo penal jamais seriam garantidas implica pois, no caso concreto, acrescidos cuidados na emissão de opinião sobre a matéria, tanto mais que se encontra esta intimamente ligada aos condicionalismos pessoais do visado como figura pública, como profissional e dirigente e, sobretudo, como pai de família…
Por agora caberá por isso apenas formular um desejo e efectuar uma constatação…
O desejo, o de que para o Engenheiro José Eduardo Simões e família não sobrevenham quaisquer consequências destes processos, que não sejam as inerentes aos difíceis momentos que estarão decerto a viver no presente, os quais se lamentam profundamente.
A constatação a de que a Académica tem hoje um quadro de enorme fragilidade directiva, o qual só é resolúvel com diálogo, bom senso e com a consciência, por parte de cada um dos elementos dos órgãos sociais, das responsabilidades individuais que lhe cabem…
Têm pois a palavra, ou antes, devem tê-la, o Dr. António de Almeida Santos (presidente da mesa da Assembleia Geral), o Dr. Gonçalo Dinis Capitão (Presidente do Conselho Fiscal), o Prof. Rui de Alarcão (líder do Conselho Académico) e, é claro…o Engenheiro José Eduardo Simões…

12.07.2006

Zada e Lira...

Na última Assembleia-Geral da Académica houve alguém que chamou a atenção para a lógica do entreposto de atletas em que a actual Direcção gradualmente transformou a instituição, dando como exemplo algo para que há muito chamei a atenção: a Briosa contratou quase sete dezenas de jogadores, nos últimos três anos.
Esta realidade nem por isso trouxe alegrias desportivas à massa associativa e, a avaliar pelo último relatório e contas, esteve igualmente longe de ter garantido à instituição a estabilidade financeira desejável.
Tal aconteceu, fundamentalmente, porque não obstante as avultadas quantias dispendidas pelos passes da esmagadora maioria dos atletas em questão e das muito prováveis comissões pagas aos empresários respectivos, esses futebolistas eram de qualidade duvidosa.
Quem se lembra hoje de Alexandre Fávaro, Flávio Dias, Kaká, William Soares, Wilton ou Bruno Leite, para já não recuar mais no tempo e relembrar, entre outros, Fohuammi, Fiston ou «El Gato» Perez?
Quanto terão custado à Briosa não só os vencimentos de tais atletas, mas também as respectivas aquisições e despezas a elas agregadas, bem como as respectivas dispensas ou cedências temporárias?
Quanto custou trazer recentemente Lira e Zada, para depois os devolver à procedência e assistir de novo ao seu regresso, de acordo com os respectivos contratos?
Sei bem que não há em futebol quem sempre acerte e que, em matérias de contratação de jogadores, também eu falhei algumas ocasiões.
Mas o certo é que na altura em que tive a honra de liderar o futebol da Académica, além desses erros, havia também uma política estrutural de apoio à formação, por intermédio da equipa B da Briosa e da promoção faseada de jogadores das nossas camadas jovens à equipa sénior.
O resultado dessa política traduz-se por exemplo no atleta José Castro que, a ter visto defendidos os interesses da Académica face ao seu passe e demais direitos desportivos, teria decerto pago com os lucros da sua transferência vários anos dessa estrutura.
Não nego que nessa altura a Académica tivesse igualmente jogadores estrangeiros, alguns deles, obviamente, também de qualidade futebolística não confirmada.
Mas a política seguida estava longe de ser situacionista e de obedecer cegamente às regras estreitas da compra e venda de jogadores, procurando iniciar faseada e sustentadamente a ideia-força do «faça você mesmo os seus próprios craques», tão seguida por essa Europa fora, do Atlhetic Bilbao ao Auxerre, do Ajax ao Manchester United, ao Barcelona, etc…
Vêm estas recordações a propósito dos regressos de Lira e Zada, duas provas pessoais que a juntar à prova material que o relatório e contas do último exercício económico constitui, provam à saciedade que a política do «entreposto» falhou.
Uma política que, ademais, levará a que os seus ruinosos efeitos se façam sentir a breve prazo de forma devastadora não só para a identidade da instituição, mas também para as suas finanças…
Uma política que urge pois inverter com uma nova dinâmica, com novos procedimentos, em suma com uma nova ideia de Académica…
Que assim seja e quanto mais depressa melhor!

12.06.2006

Santarino apelida a AG de farsa!*

LUÍS SANTARINO, um dos mais conhecidos sócios da Briosa, foi a grande voz contestatária na última assembleia geral.
As críticas à gestão de José Eduardo Simões começam na questão do Jornal Académica e estendem-se até às contas do clube. «Um desastre total», diz.
— O que aconteceu em concreto com o Jornal Académica?
— O Jornal Académica era propriedade de uma sociedade composta por mim, Fernando Pompeu, João Mesquita e José Fernandes da Silva. A Direcção do dr. Campos Coroa entendeu propor que a Académica ficasse com a maioria do capital, assumindo o passivo, que era elevado, e o activo. Numa reunião da Comissão Administrativa, o dr. João Moreno assumiu que o passivo seria pago, já que um patrocinador estava disposto a fazê-lo. Todos sabemos qual foi a empresa, resta saber para onde foi o dinheiro!
— E depois disso?
— Nada mais foi dito após a morte do dr. João Moreno, até que fomos surpreendidos com a obrigatoriedade de pagar 20 mil euros a uma instituição bancária. Foi mais uma malandrice, entre aspas, do eng. Eduardo Simões.
— Na AG foi um dos mais críticos...
— A assembleia geral foi uma farsa e potencialmente uma fraude. O presidente acusou Campos Coroa de ser o causador do passivo de 12 milhões de euros, esquecendo-se que, em 2003, disse que a AAC/OAF estava em falência técnica. O passivo era de 5 milhões de euros! Isto seria contradição, se não pudesse ser apelidado de mentira.
— ...
— Disse que iria reduzir os salários em 35 por cento. Aumentou-os. Voltou a não justificar onde está o milhão de euros da transferência de Filipe Alvim, Delmer e Dionattan. Pior que tudo é o desaparecimento de uma rubrica do anterior relatório que fazia fé de uma dívida da Académica/OAF ao eng. José Eduardo Simões de 3,5 milhões de euros. Nunca ninguém soube a proveniência desse dinheiro, quem autorizou o empréstimo, ou onde está ele agora. Sobre a transferência do Marcel, apenas disse que era mentira ter recebido cerca de 2 milhões e 140 mil euros, mas nunca explicou o negócio.
— Há má gestão?
— Nunca a Académica/OAF teve tanto dinheiro! Só da TBZ recebe mais de 3 milhões de euros por ano. Se a este dinheiro somarmos as transmissões televisivas e demais patrocínios, a Direcção da Académica tem para gastar, por ano, mais de 5 milhões de euros.
— Mas isso não parece suficiente...
— O relatório está escrito e assinado e o que todos compreendemos é que a Académica está à beira da falência.
— De quanto será, neste momento, o passivo da Académica?
— Em declarações recentes o eng. José Eduardo Simões afirmou que já tinha recebido toda a verba do ex-atlteta Marcel. Assim sendo, o passivo aumenta para 19 milhões de euros, distribuídos da seguinte forma: 12 milhões inscritos no relatório, 3,5 milhões da venda do Marcel e mais 3,5 milhões do empréstimo do presidente que no presente relatório já não consta. É o desastre total!
* Notícia do Jornal «A BOLA»

12.05.2006

Belo critica perda de identidade

José Belo, presidente do núcleo de veteranos, aponta sete caminhos*
Perda de identidade
Jurista, ex-defesa da Académica e actual presidente do Núcleo de Veteranos, José Belo revelou-se ontem «preocupado» com o actual momento da Académica, enquanto instituição. «Têm faltado ideias, coesão académica, mobilização e sentido de futuro, sobrando, em sentido contrário, situações polémicas e incómodas para uma instituição centenária», frisa, aludindo também a «um sentimento que medra de que a Académica começa a ser gerida por pessoas com algum afastamento da sua cultura e princípios nucleares, numa subordinação cega à nova máquina da indústria do futebol».
Para José Belo, o futuro da Académica passa pela definição de sete pressupostos, o primeiro do qual «a valorização da memória da Instituição», ou seja o «respeito pelo ADN» da Briosa. O segundo pressuposto de futuro é «o enquadramento da Briosa na Liga profissional», resistindo ao «mercantilismo puro e duro». «Não podemos alienar a dimensão social onde cimentámos a nossa diferença», sublinha. O terceiro ponto é a «defesa intransigente dos interesses da Briosa», assente nos «valores» que lhe moldam uma «singular identidade». O quarto é cuidar da «situação económico-financeira, agravada ano após ano», mostrando-se preocupado com o risco de «definhamento». O quinto ponto é a redefinição da política desportiva. Actualmente considera, com um «orçamento gordo» mas com «pouca habilidade», mormente na «contratação de jogadores por atacado» e na pouca aposta na «formação». O sexto pilar de futuro é acabar com os «maus exemplos» num futebol em crise de credibilidade e «marcar a diferença» junto da opinião pública. Por último, a «mobilização dos devotos e simpatizantes», através da «definição de objectivos, de estratégia e adopção de boas práticas».
Preocupado com o «cinzentismo» que diz invadir a instituição, José Belo considera que «a Académica não tem hoje em dia uma perspectiva exaltante, nem em dimensão social, nem desportiva nem sócio/desportiva». Alertando para a «contínua diluição de identidade», José Belo sublinha que a Briosa tem «um passado que é maior do que o presente», pelo que chegou a hora de, «com orgulho no passado, falar do futuro com dignidade, com modernidade, com esperança, com sentido académico».
In "A Bola", edição de hoje

12.04.2006

O jogo em Braga

Depois de um arranque entusiasmante, o jogo da Briosa em Braga, que se realizou ontem, acabou por ser uma franca decepção.
A defensiva de negro deu «baldas» suficientes para uma vitória tranquila dos minhotos, sem que estes a hajam merecido, pelo menos de forma clara, no capítulo do futebol jogado.
Tenho para mim que temos bons jogadores, mas que a nossa equipa é demasiado «macia», pecando por alguma falta de agressividade e mesmo, por vezes, de ambição.
Considero ainda que na frente de ataque a Académica tem poucas opções de qualidade, necessitando como «pão para a boca» de procurar desde já um novo ponta-de-lança, a contratar na reabertura de mercado.
Seja como for, uma derrota em Braga por diferença de duas bolas, não deixa de ser natural…
Agora segue-se o Marítimo em casa, em jogo, esse sim, para vencer.
Até porque de seguida visitamos o Sporting e recebemos o Benfica, naquilo que pode considerar-se um ciclo terrível, a fechar a 1.ª volta do campeonato.
Tenhamos esperança e não deixemos de acreditar...
Viva a Briosa!

A Académica no seu melhor...

Ainda não tinha tido tempo para escrever sobre a última Assembleia-Geral.
Aliás também não há muito para escrever, dado que a reunião magna dos académicos que já de si era previsível, acabou por ser rigorosamente o que era esperado.
Afinal o passivo não é passivo, sendo importante relevar apenas a «pesada» herança deixada em 2002.
Afinal o ROC não escreveu o que escreveu, mas apenas disse o que vem dizendo há muito sem que a coisa tenha realmente grande importância.
Afinal o Conselho Fiscal fiscaliza de facto e agora até já marca presença nas AG’s da instituição.
Afinal a Briosa não foge ao Fisco nem à Segurança Social, pois todas as obrigações tributárias se encontram rigorosamente liquidadas.
Afinal há um sistema de procedimentos de controlo interno que permite conhecer todas as transacções efectuadas, mesmo a de Marcel para o Benfica.
Aliás, afinal o dinheiro de Marcel já cá canta desde Fevereiro, mas só será reflectido no próximo relatório e contas que, mais uma vez, dará conta da vertiginosa descida do passivo, fruto de uma gestão credível, rigorosa e sobretudo transparente, que nem pelo ROC será posta em causa.
Afinal o contrato com a TBZ está correctíssimo, até porque a sua execução é baseada em relatórios que de facto existem, como de resto existem todas as cláusulas do mesmo contrato.
De resto se o contrato for judicialmente anulado, afinal não há problema. O problema agora é jurídico e, se deixar de o ser, para ser um problema de sobrevivência económico-financeira da instituição, então logo se vê…
Como logo se vê, se algum dos sócios presentes na AG decidir impugnar a aprovação das contas, porque não se sabe em rigor se todos os que as votaram eram sócios ou se, sendo-o, tinham as quotas em dia, como manda o texto estatutário…
Certo, certo é que afinal o culpado ainda não deixou de ser o Coroa…
Enfim, a Académica no seu melhor…

11.30.2006

Votos para a Assembleia

Depois de conhecido o conteúdo do «demolidor» parecer do Revisor Oficial de Contas da Briosa acerca das contas que serão hoje à noite apresentadas em Assembleia-Geral, resta desejar que a reunião magna dos académicos decorra com serenidade e que todos assumam as suas responsabilidades.
Fuga ao fisco, falta de um sistema de controlo interno que permita identificar todas as transacções efectuadas, falta de suporte documental para despesas e receitas são factos demasiado graves para serem ignorados, inclusive porque é o próprio ROC quem põe em causa a continuidade da instituição, chamando a atenção para o crescimento significativo do passivo geral e para uma tendência continuada de agravamento da dívida da instituição, o que a curto prazo poderá ser factor decisivo da sua asfixia.
Ou seja, quem ler o parecer do ROC pensará estar em instituição diferente daquela que é retratada, acerca das mesmas contas, no relatório de actividades da autoria da Direcção.
Este último pinta um cenário cor-de-rosa da actualidade e faz crer que a Académica é actualmente uma instituição rigorosa, credível, transparente e profissional, ao contrário do que alegadamente fora no passado.
Só um invisual militante não logrará vislumbrar a mentira descarada que subjaz a tal entendimento.
A Académica está hoje numa situação dramática, bem pior do que aquela que existia em finais de 2002, quer do ponto de vista financeiro, quer da perspectiva da credibilidade, da transparência e do rigor.
Em primeiro lugar porque começa a ser indesmentível que o passivo duplicou desde então, o que é verdadeiramente escandaloso, principalmente se tida em conta a diferença de receitas e de fontes de financiamento que existem hoje e aquelas que existiam na altura.
Em segundo lugar porque a credibilidade da instituição e a sua transparência não estão agora afectadas pela transitória ruptura de tesouraria, o que motivara a famigerada história dos cheques sem provisão, mas estão antes hipotecadas a acusações gravíssimas que impendem sobre a instituição e sobre o seu presidente, como sejam a fuga ao fisco, no primeiro caso e a corrupção e o tráfico de influências, no segundo.
Por muito má que fosse a situação em 2002, não há pois forma de a comparar ao que hoje em dia ocorre.
Por isso esta Assembleia-Geral é tão importante.
Por isso é quase decisiva a posição que tomará o Conselho Fiscal face a esta matéria.
Por isso é tão importante que os sócios se desloquem massivamente à nossa reunião magna e que digam de sua justiça o que de melhor lhes aprouver acerca da sua avaliação do momento presente e das medidas a tomar no futuro.
Uma coisa é certa, após esta Assembleia, nada, mas mesmo nada, pode ficar como dantes!!!
Viva a Briosa!!!

11.29.2006

Gato escondido com o rabo de fora

A responsabilidade sobre a recente polémica relacionada com o Parecer do Revisor Oficial de Contas sobre as contas relativas ao exercício económico 2005-2006 que serão apresentadas na Assembleia-Geral agendada para amanhã, não pode ser senão atribuída à Direcção da Académica, presidida pelo Eng.º José Eduardo Simões.
De facto o processo de apresentação de Contas, que agora terá lugar, nasceu inquinado e, como diz o povo, «o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita»…
As contas, que é para já não falar do Orçamento para a presente época, já há muito deveriam ter sido sujeitas à apreciação e veredicto dos sócios, tendo os prazos estatutários para o efeito sido largamente ultrapassados, sem que a Direcção se dignasse sequer a apresentar disso uma justificação oficial.
Por outro lado, a demissão de Alberto Santos da presidência do Conselho Fiscal e a sua substituição pelo “vice-presidente” Gonçalo Capitão foi também efectuada sem explicações, como sem explicações ficou a inusitada ausência deste mesmo órgão da última reunião magna realizada na AAC/OAF.
Finalmente, ficaram sem explicar os principais negócios realizados durante o exercício económico a que o relatório se refere, designadamente os relativos aos proventos e formas de pagamento sobre as transferências a título definitivo ou provisório de atletas.
Finalmente a questão mais actual, o não fornecimento aos sócios do Parecer do Revisor Oficial de Contas:
Já escrevi por aqui que essa disponibilização é obrigatória por Lei, designadamente por via do estabelecido nos art.ºs 37.º e 41.º do Decreto-Lei n.º 67/97, o qual impõe que conheçam os sócios o parecer do ROC antes da realização da Assembleia-Geral destinada a apreciar e votar as contas a que aquele se refere.
Claro que ao «sonegar» esse parecer, alegadamente dado o seu conteúdo «arrasador» para a política directiva e a manifesta preocupação nele expressa acerca do futuro da instituição, está a Direcção da Académica a «tapar o sol com a peneira».
Em primeiro lugar, porque não pode a Assembleia-Geral realizar-se sem o conhecimento pelos sócios do citado parecer, sob pena de poderem ser impugnadas todas as decisões ali tomadas com base na ilegalidade do procedimento, o que seria não só grave, mas inédito em toda a história institucional do OAF da AAC.
Em segundo lugar porque, se queria desvalorizar ou mesmo «esconder» o citado parecer, a Direcção arranjou paradoxalmente a melhor forma de lhe dar cariz mediático, colocando desajeitadamente a questão no centro das preocupações de quem vai à Assembleia.
Ou seja, mais valia ao Eng.º José Eduardo Simões e seus pares terem corajosamente apresentado o parecer do ROC preparando cuidadamente os argumentos para o rebater e para convencer os sócios de que têm soluções para evitar as preocupações nele expressas, sujeitando-se, como é próprio da democracia, às críticas inerentes.
Ao invés tentou a Direcção meter apressada e atabalhoadamente o parecer «na gaveta», quando é manifesto que não dá mais para assobiar para o ar e fingir que nada se passa, até em função do vem ocorrendo no Conselho Fiscal que, pelo andar da carruagem, depressa ficará sem quórum.
Ao invés, em suma, mostraram assim os dirigentes a sua franca incomodidade face à posição do ROC e face à discrepância desta com a visão idílica do relatório directivo que acompanha as contas.
Ao invés, enfim, tentaram o Eng.º José Eduardo Simões e seus pares «esconder o gato», deixando, contudo, a cauda do felino bem à vista de todos…

11.28.2006

Relatório do ROC demolidor (*)

Futebol:
Académica - Membro do Conselho Fiscal demite-se
Coimbra, 28 Nov (Lusa) - Vítor Leonardo demitiu-se de membro do Conselho Fiscal da Académica, alegando divergências com o processo de apresentação de contas de 2005/2006, revelou à Agência Lusa fonte do clube dos "estudantes".
O agora ex-membro do Conselho Fiscal alegou que a sua saída ter- se-á devido a razões pessoais, mas a mesma poderá dever-se ao processo de apresentação de contas de 2005/2006, já que as mesmas deveriam ter sido apresentadas em Julho.
Neste momento, o presidente do Conselho Fiscal é Gonçalo Capitão, coadjuvado por mais três elementos.
A dois dias da Assembleia-Geral do clube para análise e aprovação de contas de 2005/2006 e para apresentação do orçamento para a temporada 2006/2007, são já dois os elementos que se demitiram na vigência da actual direcção: o presidente Alberto Santos e Vítor Leonardo.
Apesar dos atrasos, a AG vai mesmo acontecer quinta-feira, às 20:00, no Auditório do Estádio Cidade de Coimbra, e os sócios vão confrontar-se com um passivo de 12,1 milhões de euros, mais de um milhão de euros em relação ao ano passado.
O relatório do Revisor Oficial de Contas (ROC) não foi divulgado publicamente, o que deverá apenas ocorrer na própria AG, tal como no ano passado.
Segundo a Agência Lusa apurou, através de uma fonte do clube, o documento é demolidor em relação às contas de 2005/2006, pondo em causa a viabilidade financeira da instituição.
Já no ano passado, o ROC afirmara que a Académica estaria em pré-falência, desta feita com 11 milhões de passivo.
NR
Lusa/Fim

(*) Notícia da agência Lusa, assinada pelo Jornalista Norberto Rodrigues